segunda-feira, 27 de abril de 2009

PSICOLOGIA HUMANISTA, COMUNICAÇÃO E UMBERTO MATURANA

REGINA BEZERRA CARVÃO


1- Faça a relação entre a Psicologia Humanista e a Psicologia Transpessoal

Segundo Maslow :
“ - Devo dizer que considero a Psicologia Humanista ou Terceira Força de Psicologia, apenas transitória, uma preparação para a Quarta Psicologia, ainda mais elevada, transpessoal, transhumana, centrada mais no cosmo do que nas necessidades e interesses humanos, indo além do humanismo, da identidade, individuação e quejandos......
Abraham Maslow, no prefácio da segunda edição de seu livro “Toward a Psychology of Being”, 1968

Segundo Sutich :

“Psicologia Transpessoal ou Quarta força é o título dado à uma força que está emergindo no campo da psicologia, por um grupo de psicólogos e profissionais, homens e mulheres de outros campos que estão interessados naquelas capacidades e potencialidades últimas que não têm um lugar sistemático na teoria positivista e behaviorista (“primeira força”) nem na psicanálise clássica (“segunda força”) nem na psicologia humanista (“terceira força”). A Psicologia Transpessoal se relaciona especialmente com o estudo empírico e a implementação das vastas descobertas emergentes das meta-necessidades individuais e da espécie, valores últimos, consciência unitiva, experiências culminantes, valores do ser, êxtase, experiência mística, arrebatamento, último sentido, transcendência de si, espírito, unidade, consciência cósmica, vasta sinergia individual e da espécie, encontro supremo, interpessoal, sacralização do cotidiano, fenômeno transcendental, bom humor cósmico, consciência sensorial, responsividade e expressão elevadas ao maximum, conceitos experenciais, e atividades relacionadas”.
Journal of Transpersonal Psychology - Antony Sutich, 1969: ano 1, n°1, 15)

A Psicologia humanista é um ramo da psicologia surgida na decada de 1950 nos Estados Unidos e Europa como uma reação ao determinismo dominante nas práticas psicoterapêuticas. Seu enfoque é a humanização da psique, considerando o homem como um processo em construção, detentor de liberdade e poder de escolha. Em sua concepção, o comportamento do ser humano está sempre em busca da autonomia em qualquer que seja a situação imposta pelo ambiente exterior, desde que esteja livre da dominação de necessidades inferiores como as necessidades fisiológicas e de segurança.
Os expoentes desta linha psicológica são Carl Rogers, com sua abordagem centrada na pessoa,nessa abordagem quem direciona o rumo da psicoterapia é o paciente e não o psicoterapeuta, e Abraham Maslow com a hierarquia das necessidades, na qual ele considera que as pessoas passam por fases da vida onde buscam determinadas necessidades. As necessidades que estão na base dessa hierarquia são as mais básicas.
A psicologia transpessoal é uma abordagem da Psicologia, considerada por Abraham Maslow (1908-1970) como a "quarta força" da psicologia , sendo a primeira força o comportamentalismo, seguida da Psicanálise e a terceira força a da Psicologia Humanista.
É uma forma de sincretismo teórico, que abarca conteúdos de muitas escolas psicológicas, como as teorias de Carl G. Jung, Maslow, Viktor Frankl, Fritjof Capra, Ken Wilber e Stanislav Grof. Surgiu em 1967 junto aos movimentos New Age nos EUA, pelo pensamento de Maslow, que dizia que o ser humano necessitava transcender sua Psique, conectando-se a outras realidades, procurando pela Verdade, de forma a entender sua existência e ajudar a si próprio., utilizando prioritariamente os estados não ordinários de consciência. Assim, a psicologia transpessoal abrange o ego, como as demais escolas de psicologia, e os estados além do ego (transpessoal).
Concluindo, penso essencialmente que a Psicologia Transpessoal complementa a Psicologia Humanista com o desenvolvimento e a plena utilização dos fundamentos dos estados de consciência.

2 – O que é para você comunicação intrapessoal, interpessoal e transpessoal ?

Comunicação Intrapessoal – eu comigo mesma .
Comunicação Interpessoal – eu e o outro, eu e o grupo.
Comunicação Transpessoal – eu e o além do meu eu , eu e o meu espírito, eu e o além do pessoal, eu e o que me transcende.
Como característica geral a comunicação em todas as 3 vertentes tem em comum : a troca de informação, o fato de pertencer a todos, ter ressonância, sintonia, empatia, estar com aquilo que é comum e possuir a mesma raiz de comunicação, e acontecer nas dimensões internas e externas.


3- Fale sobre a importância da emoção no processo de aprendizagem segundo Maturana e a relação com a abordagem integrativa transpessoal.

Segundo Maturana EMOÇÃO é o que há de mais importante no processo de aprendizagem, é onde fica a base do saber.
A Psicologia Transpessoal complementa nos mostrando que é em seguida a emoção que desenvolvemos a razão utilizando-nos da reflexão, e que a emoção é tão essencial que chegamos a adoecer se não nos querem, se nos rejeitam, se nos negam, e se nos criticam injustamente.
Maslow também afirmava que adoecemos quando nosso ser mais pleno não está se manisfestando, e que na educação é importante a vivência, o lúdico, o mítico, os contos de fada, a música, porque assim ampliamos e estimulamos os estados de consciência que faz emergir valores positivos presentes na nossa espécie humana, mas que não se encontram presentes no estado de vigília.
Maturana ao valorizar a emoção mostra-nos a importância de olhar tanto o particular quanto olhar o todo. E ao contrário de Descartes que afirmava : Penso, logo existo , Maturana nos leva a pensar que a afirmativa mais correta seria : Sinto, logo existo.
Ao qualificar tão intensamente a emoção Maturana nos propõe relações mais cooperativas e não competitivas, porque viver sob competição é negar o outro, é viver sem aceitação mútua.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

ENTREVISTA COM JEAN-YVES LELOUP

QUINTA-FEIRA, 16 DE ABRIL DE 2009



O Barulho da Floresta Que Brota


Jean-Yves Leloup é um dos pensadores importantes do mundo contemporâneo. Nascido em 1950, na França, ele é um cidadão do mundo.

Filósofo, terapeuta transpessoal, teólogo, ele é padre da igreja ortodoxa na França, e traduziu e interpretou textos bíblicos. Seu pensamento é poético, universalista, multidimensional. Conferencista reconhecido internacionalmente, ele vem regularmente ao Brasil proferir seminários organizados pela Universidade da Paz.

Para Marie de Solemne, uma estudiosa da sua obra, "a considerável força da palavra de Jean-Yves Leloup é que ela é sistematicamente informada, ao mesmo tempo, por uma reflexão filosófica, psicanalítica e espiritual". Os livros de Jean-Yves estão publicados em vários idiomas e fazem sucesso no Brasil. Entre os seus últimos lançamentos estão "Amar... Apesar de Tudo" e "A Arte da Atenção", ambos da Editora Verus. A entrevista a seguir foi concedida na sede da Unipaz, em Brasília.


Pergunta - Você é sacerdote da igreja ortodoxa...

Jean-Yves Leloup - A ortodoxia é a tradição das origens do cristianismo. Inicialmente, o cristianismo era uma comunhão de igrejas. Havia a igreja de Jerusalém, a de Antioquia, a de Éfeso, a de Roma. Foi só no século 12 que a igreja de Roma se separou. As diferentes igrejas ortodoxas preservaram a tradição de comunhão e permaneceram unidas apesar das diferenças.



Pergunta - Você acredita em Astrologia?

Jean-Yves Leloup - O homem é uma parte do universo e depende dos astros. Isso faz parte da sua unidade com o cosmo. Gosto das palavras de Santo Tomás de Aquino, que diz que os homens dependem dos astros, mas são maiores do que eles. Não somos completamente determinados pelos astros. O homem é uma mistura de natureza e de aventura. Creio na Astrologia, mas não no determinismo.

Pergunta - Quando você diz que aceita postulados da Astrologia, essa é uma opinião pessoal ou é um consenso em sua igreja?

Jean-Yves Leloup - Na igreja ortodoxa há diferentes teólogos, com pontos de vista diversos. A linha de pensamento em que estou engajado respeita a Astrologia. A consciência da relação do homem com o universo, a consciência da sua liberdade e a consciência daquilo que o ser humano faz em relação ao universo - essas são questões muito tradicionais.


Pergunta - No seu livro A Arte da Atenção, você define o oceano como "um deserto em movimento". O deserto parece ser um dos seus temas constantes. Se para você o deserto é uma metáfora, ele simboliza o quê?


Jean-Yves Leloup - Simboliza o silêncio - o silêncio de onde vem a palavra e para onde a palavra volta. O deserto é também uma metáfora da vacuidade - a vacuidade de onde vem o mundo e para onde esse mundo volta. Quando estamos no deserto, nesse espaço de silêncio, nós nos aproximamos dessa vacuidade essencial e não somos distraídos pelas formas. Entramos em contacto com o que não tem forma a origem de todas as formas.


Pergunta - Você acredita em reencarnação?



Jean-Yves Leloup - A reencarnação é uma explicação possível. Ela é importante para dar-nos um sentido de responsabilidade e para colocar-nos em contacto com as consequências dos nossos actos. A ideia de reencarnação está ligada à ideia de justiça e à lei do Carma. O Evangelho diz que o que você planta, você colhe. Nesse sentido, a ideia da reencarnação pode ser útil. Mas os grandes sábios da Índia dizem que a reencarnação é uma crença popular e uma forma de interpretar o que está além do espaço e do tempo. Crer na reencarnação é acreditar na continuidade do espaço-tempo. Por isso, há uma diferença entre reencarnação e ressurreição. O objectivo humano é sair do ciclo da reencarnação e atingir um estado de ressurreição que está além da necessidade de reencarnar e constitui uma libertação. Quando perguntaram ao indiano Ramana Maharshi para onde ele iria depois da sua morte, ele respondeu: "irei para onde sempre estive". Ele não fala de reencarnação, nem do encadeamento de causas e efeitos. Ele destaca que há dentro de nós algo que está livre da roda de causas e efeitos, livre do samsara. É esse estado de despertar que devemos descobrir.


Pergunta - O que é Deus? É uma entidade antropomórfica que toma decisões como se fosse um ser humano, com seu hemisfério cerebral esquerdo, que gosta ou não gosta, que se apega ou rejeita algo? Ou Deus é apenas uma Lei Universal?


Jean-Yves Leloup - Cada um tem sua religião conforme o seu nível de consciência. Nossa imagem de Deus é feita de acordo com o que a nossa consciência pode conter. É por isso que existem imagens de Deus muito infantis - Deus como uma grande mãe ou um grande pai, como uma fonte de segurança. Meister Eckhart escreveu que, para alguns, Deus é como uma vaca leiteira, algo que tem que suprir as nossas necessidades. Para outros, Deus é aquilo que coloca em ordem a sociedade humana e o universo, é a lei natural. Para outros, ainda, Deus é apenas uma palavra, e tudo o que podemos pensar de Deus não é Deus, mas apenas a nossa representação dele.

Assim, também, o que conhecemos da matéria não é a matéria, mas apenas o que os nossos instrumentos de compreensão nos permitem perceber. Por isso, quando usamos a palavra Deus, é bom saber do que estamos falando. Ao longo da nossa vida pessoal, nossa imagem de Deus pode mudar. Aquilo que a gente aprendeu no catecismo, em outro momento ganha outro significado. O que aprendemos sobre Química no primeiro grau não é o que aprendemos na universidade. Às vezes, no entanto, ficamos fixados nas imagens da escola de primeiro grau. O mais importante, claro, é a nossa experiência. O que quero dizer quando falo de Deus? Que experiências estão por trás dessa palavra? Para mim, essa é uma experiência de serenidade, de silêncio, de amor, e de luz.


Pergunta - Em seus livros, você aborda "a memória do corpo".


Jean-Yves Leloup - O corpo é a nossa memória mais arcaica. Tudo aquilo que uma criança viveu fica guardado na forma de impressões em seu corpo. Quando tocamos um corpo, tocamos toda essa memória. Assim, você não pode tocar determinadas pessoas em determinadas áreas, porque ali há registos de memórias antigas. Karl Graf Dürkheim dizia que quando fazemos massagem em alguém, não estamos tocando um corpo, estamos tocando uma pessoa. O corpo é animado, pleno de memórias.




Pergunta - Como você vê a relação entre o individual e o social? Penso que ficamos capengas se nos engajamos na transformação social sem fazer uma auto-transformação, mas também ficamos incompletos se tentamos uma auto-transformação sem levar em conta a sociedade ao nosso redor.


Jean-Yves Leloup - É importante observar as duas coisas. Isso me faz lembrar do que me disse um rabino em Jerusalém: que nunca haverá paz, em Jerusalém, enquanto o ser humano não fizer a paz dentro de si mesmo. E fazer a paz em Jerusalém significa fazer a paz nos diferentes bairros. O bairro judeu, o bairro árabe, o bairro cristão, etc. Nós também temos que construir essa paz nos nossos diferentes bairros, o bairro do coração, o bairro da mente, o bairro do corpo. Se fizermos paz em nosso próprio interior, poderemos fazer a paz no mundo. Há uma interpenetração do individual e do social. Quando eu me preocupo com a sociedade, eu me transformo. Cuidar do outro me revela a mim mesmo. Quando conheço o outro, conheço a mim mesmo. O Evangelho de São Tomé diz que o Reino está no interior e no exterior. Se o Reino estivesse somente no interior, poderíamos abandonar o mundo e viver apenas em meditação. Se o Reino estivesse só no exterior, não teríamos que meditar, e poderíamos ocupar-nos o tempo todo da sociedade. Mas o que Jesus fala é que o Reino está dentro e fora, e eu acho que esse é o segredo do amor. Porque o amor é aquilo que o ser humano tem de mais interior e, ao mesmo tempo, ele tem consequências no mundo exterior.


Pergunta - Qual é o impacto que a busca espiritual dos indivíduos tem, ou que deveria ter, sobre as estruturas sociais? A nossa cultura espiritual, hoje, não deveria incluir uma preocupação explícita com mudanças sociais?


Jean-Yves Leloup - Não há oposição entre o que é interior e o que é exterior. Cada um deve seguir aquilo que o espírito lhe inspira. Para alguns, é através da acção que se ama. Para outros, é através da meditação ou da oração. A acção e a contemplação são como os dois olhos em um mesmo olhar. Às vezes o amor nos convida à interiorização. Em outros momentos o amor nos leva a agir, a produzir. A única condição necessária é que façamos todas as coisas a partir do melhor de nós mesmos. Não se deve comparar a acção de Madre Teresa com a acção de um eremita dentro de sua gruta. Cada um age da sua maneira pelo bem-estar da humanidade.



Pergunta - Como você vê, hoje, a marcha da evolução humana?


Jean-Yves Leloup - Vejo a humanidade em uma situação de apocalipse, entendendo a palavra apocalipse como revelação. Há algo desmoronando, e há também algo que está nascendo. Nós escutamos o barulho do carvalho que cai, mas não escutamos o barulho da floresta que brota. Ouvimos o ruído das torres desmoronando, mas não escutamos a consciência que desperta. No mundo de hoje há muitas coisas que desmoronam, e em geral falamos das coisas que fazem ruído, mas não falamos das sementes de consciência e de luz que estão germinando.



Pergunta - Qual o significado do ascetismo no caminho espiritual?


Jean-Yves Leloup - O ascetismo é um caminho para prazeres mais subtis.


Pergunta - O que separa uma religião da outra?

Jean-Yves Leloup - Creio que é a ignorância, junta com a vaidade e o desejo de poder. Quando você conhece o outro, você o respeita. Se não há desejo de poder, há lugar para todos. Em um canteiro de flores há lugar para as flores azuis, para as brancas, e cada uma delas cresce em direcção à luz.


Pergunta - O que as religiões têm a ensinar umas às outras?


Jean-Yves Leloup - Cada uma pode ensinar às outras a sua diferença, o que
a distingue. Não podemos fazer um bouquet, se todas as flores tiverem a mesma cor. Se todas as pessoas pensam igual, então elas não pensam mais. O pensamento dos outros estimula o nosso pensamento. A maneira como os outros consideram o absoluto me permite relativizar minha própria maneira de considerar o absoluto. Isso me impede de construir um dogma e me leva a um conhecimento mais profundo.




Pergunta - Como você vê o Brasil?


Jean-Yves Leloup - Tenho a impressão de que o Brasil não tem uma coisa ou outra, ele tem todas as coisas. E há a riqueza da natureza, a riqueza das culturas mescladas. Mas sinto que no mundo político há alguma coisa artificial. Sinto que há uma esquizofrenia. O Brasil tem uma coisa muito forte, espontânea, próxima do paraíso, talvez, mas há também algo que impede o surgimento desse paraíso.


Pergunta - Existe uma relação entre a atenção e o desapego...


Jean-Yves Leloup - Se estivermos realmente atentos, estaremos dentro de um instante. Só podemos estar atentos instante a instante. Mas se estivermos atentos a esse instante estaremos desapegados em relação ao instante anterior. A atenção é a arte de viver no momento presente, e para isso é preciso estar livre do passado e do futuro. A arte da atenção é a arte de estar no presente. O presente está ligado ao passado e ao futuro, mas ao mesmo tempo ele está desapegado em relação a eles. Isso me faz pensar em umas palavras de Buda que têm relação com uma das perguntas feitas há pouco: "Se você quiser conhecer sua vida anterior", disse o Buda, "esteja atento para o que você é e faz hoje". Aquilo que você é hoje é o resultado do que você foi. Se você quiser conhecer a sua vida futura, esteja atento para o que você é e faz hoje. Porque o que você é hoje constitui a origem do que virá mais tarde. Há também as palavras de Cristo, "não olhe para trás e não se preocupe com o futuro, mas faça bem aquilo que você tem de fazer no momento presente".




O o o O o o O o o O



[Texto de Carlos C. Aveline que transcreve uma entrevista com Jean-Yves Leloup, foi publicado originalmente na revista "Planeta", de São Paulo, edição de Outubro de 2002]
POSTADO POR REGINA.CARVAO ÀS 03:56

UM CASO DE AMOR COM A VIDA ...

RUBEM ALVES


O tempo se mede com batidas. Pode ser medido com as batidas de um relógio ou pode ser medido com as batidas do coração. Os gregos, mais sensíveis do que nós, tinham duas palavras diferentes para indicar esses dois tempos. Ao tempo que se mede com as batidas do relógio - embora eles não tivessem relógios como os nossos - eles davam o nome de chronos. Daí a palavra cronômetro.

O pêndulo do relógio oscila numa absoluta indiferença à vida. Com suas batidas vai dividindo o tempo em pedaços iguais: horas, minutos, segundos. A cada quarto de hora soa o mesmo carrilhão, indiferente à vida e à morte, ao riso e ao choro. Agora os cronômetros partem o tempo em fatias ainda menores, que o corpo é incapaz de perceber. Centésimos de segundo: que posso sentir num centésimo de segundo? Que posso viver num centésimo de segundo? Diz Ricardo Reis, no seu poema Mestre, são plácidas... (que todo dia rezo): Não há tristezas nem alegrias na nossa vida... Estranho, que ele diga isso. Mas diz certo: o tempo do relógio é indiferente às tristezas e alegrias.

Há, entretanto, o tempo que se mede com as batidas do coração. Ao coração falta a precisão dos cronômetros. Suas batidas dançam ao ritmo da vida - e da morte. Por vezes tranquilo, de repente se agita, tocado pelo medo ou pelo amor. Dá saltos. Tropeça. Trina. Retorna à rotina. A esse tempo de vida os gregos davam o nome de kairós - para o qual não temos correspondente: nossa civilização tem palavras para dizer o tempo dos relógios: a ciência. Mas perdeu as palavras para dizer o tempo do coração.

Chronos é um tempo sem surpresas: a próxima música do carrilhão do relógio de parede acontecerá no exato segundo previsto. Kairós, ao contrário, vive de surpresas. Nunca se sabe quando sua música vai soar. Foi o aniversário da Mariana, minha neta. O relógio me diz, com precisão, o número de segundos decorridos desde o seu nascimento. Mas o meu coração nada sabe sobre esses números. E, se souber, os números não me dirão nada. Quando eu me lembro, é como se tivesse acabado de acontecer. Disso sabia o Riobaldo, herói do Grande Sertão - Veredas, jagunço. Sabia, sem saber, que chronos não se mistura com kairós: A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recent e data. O Sérgio, meu filho, pai da Mariana, me contou que olhando para uma fotografia dela, quase mocinha, de repente compreendeu que estava ficando velho. Claro que ele sabe da idade dele. É só fazer as contas. Quem sabe somar e multiplicar tem a chave para entender as medições de chronos. Além disso, havia o espelho: na sua imagem refletida estão as marcas da passagem do tempo, inclusive o cabelo, já branco, antes da hora. Mas o coração dele ainda não havia percebido. Coração não entende chronos. Coração entende vida. Foi a fotografia da filha, menina que já tem nove anos, que de repente lhe produziu satori: o terceiro olho dele se abriu, ele ficou iluminado: viu-se velho. Sentiu que o tempo passara pelo seu próprio corpo, deixando-o marcado. E chorou. Riobaldo de novo: Toda saudade é uma espécie de velhice. Velhice não se mede pelos números do chronos; ela se mede por saudade. Saudade é o corpo brig ando com o chronos. De novo o mesmo poema do Ricardo Reis: ele fala do ... deus atroz que os próprios filhos devora sempre. Chronos é o deus terrível que vai comendo a gente e as coisas que a gente ama. A saudade cresce no corpo no lugar onde chronos mordeu. É um testemunho da nossa condição de mutilados - um tipo de prótese que dói.

Kairós mede a vida pelas pulsações do amor. O amor não suporta perder o que se amou: a filha nenezinho, no colo, no meu colo, nenezinho e colo que o tempo levou - mas eu gostaria que não tivessem sido levados! Estão na fotografia, essa invenção que se inventou para enganar o chronos, pelo congelamento do instante.

Chronos me diz que eu nada possuo. Nem mesmo o meu corpo. Se não possuo o meu próprio corpo - o espelho e a fotografia confirmam - como posso pretender possuir coisas com esse corpo que não possuo?

Heráclito foi um filósofo grego que se deixou fascinar pelo tempo. Ele era fascinado pelo rio. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Como Vaseduva, o barqueiro que ensinou Sidarta. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: Tempo é criança brincando, jogando.

Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas eu sei que as crianças odeiam chronos, odeiam as ordens que vêm dos relógios. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado. Mas as crianças só reconhecem, como marcadores do seu tempo, os seus próprios corpos. As crianças não usam relógios para marcar tempo; usam relógios como brinquedos. Brinquedo é o tempo do prazer: corpo com asas. Que maravilhosa transformação: usar a máquina medidora do tempo para subverter o tempo. Criança é kairós brincando com o chronos, como se ele fosse bolhas de sabão...

O ano chega ao fim. Ficou velho. Chronos faz as somas e me diz que eu também fiquei mais velho. Faço as subtrações e percebo que me resta cada vez menos tempo. Fico triste: saudade antes da hora. A Raquel, quando tinha três anos, me acordou para saber se quando eu morresse eu iria ficar triste! Lembro-me do verso da Cecília, para a avó: Tu eras uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se...

Aí, kairós vem em meu socorro, para espantar a tristeza. Vem como criança, brincando com chronos. Nas mãos de kairós, chronos se transforma em bolhas de sabão: redondas, perfeitas, efêmeras, eternas. Como o amor. Amor também é bolha de sabão. Disso sabia o Vinícius, que escreveu para a mulher amada: Que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure. Mas, além de todas as namoradas, Vinícius namorava a vida. O amor é a vida acontecendo no momento: sem passado, sem futuro, presente puro, eternidade numa bolha de sabão. Robert Frost, sem ter tantas namoradas, namorou a vida em cada momento. Na sua lápide ele mandou escrever: Teve um caso de amor com a vida... Ponho-me a brincar com a vida e uma estranha metamorfose acontece: deixo de ser velho. Sou criança de novo...

Rubem Alves (Correio Popular, 27/12/1998)
POSTADO POR REGINA.CARVAO ÀS 04:14

quarta-feira, 1 de abril de 2009

DESENVOLVIMENTO DO SER INTEGRAL

REGINA BEZERRA CARVÃO


1.Qual a importância da anatomia sutil na constituição do ser integral ?

Na construção e no desenvolvimento do nosso ser integral, os corpos sutis ao evoluir em busca de alcançar a trindade superior que é composta do corpo causal (os níveis superiores de pensamento), do corpo búdico ( os níveis superiores de sentimento )e do “corpo átmico” ( os níveis superiores das ações) , utilizam-se do “corpo físico” que são nossas ações cotidianas ( o que fazemos e dizemos ) , do “corpo astral” ( o que sentimos), do “corpo etérico” que fica entre o corpo físico e o corpo astral e é onde se localizam os 7 principais chakras ou centros de energia e ainda do “corpo mental”( onde se processam os nossos pensamentos ).
Na busca dos níveis superiores, utilizam-se 2 (dois) caminhos :
1- descendente : são experiências de extase que tocam o indivíduo trazendo profundas mudanças em sua vida . Esta experiência que acontece de forma descendente, atinge poucas pessoas e não depende da vontade do indivíduo.
2- ascendente : é a forma de evolução mais comum, depende do esforço e da vontade do indivíduo. É o caminho trilhado com a prática constante de meditação, imaginação ativa, orações, concentração e relaxamento . Estas práticas harmonizam a atuação dos centros vitais, e como consequência harmonizam os corpos sutis, para que ocorra o desenvolvimento do ser integral.


2- Como a Abordagem Integrativa Transpessoal trabalha a integração do ser ? Quais níveis são trabalhados ?

Todos os recursos transpessoais aplicados à educação, à clínica, à instituição e a outros contextos que tenham por base os postulados teóricos da Psicologia transpessoal favorecem o equilíbrio de todos os níveis, os níveis comuns de pensar, agir e sentir, e os níveis superiores de pensar, agir e sentir que acontecem de forma elevada, superior, sábia, a nível do supraconsciente “sob a referência da psicologia transpessoal supraconsciente indica uma dimensão superior do inconsciente, com conteúdos positivos, construtivos”.....(Vera Saldanha p. 150)

A Abordagem Integrativa transpessoal trabalha a integração do ser utilizando-se da:
Intervenção Verbal – Este nível representa toda gama de verbalizações, as quais facilitam o estabelecimento de vínculos. Trata-se de uma forma na qual se propicia a presença do eixo experiencial, por meio da razão, emoção, sensação e intuição, e que irá facilitar a manifestação do eixo evolutivo, por intermédio da ordem mental superior, que representa simbolicamente, o aprendiz interno, o eu superior, o seu núcleo saudável e de equilíbrio.
Atua no nível intuitivo e nos níveis mental e emocional.

Imaginação Ativa – Trata-se de uma possibilidade do inconsciente de desenvolver imagens mentais, aparentemente aleatórias, mas que estão sendo criadas e contornadas pelas motivações mais profundas dos diferentes níveis do próprio indivíduo.
Nesta fase, potencializam-se aspectos da consciência de vigília,atualiza-se uma percepção mais ampla da realidade e estimula-se a presença da ordem mental superior.
Atua no nível intuitivo e nos níveis etérico e físico.

Reorganização Simbólica – Esta dinâmica facilita a organização de determinados conteúdos, numa sequência lógica e adequada, seja no aspecto psíquico, temporal ou espacial.
Envolve a imaginação, mas vai além, incluindo : clarificar e organizar metas; organizar os aspectos de direcionamento do psiquismo; favorecer o indivíduo na execução de metas, dando vida às imagens mentais, acionando a intuição e os processos psíquicos inconscientes, os quais transformam esses desejos em realidade, por meio das atitudes no cotidiano.
Atua nos níveis intuitivo e nos níveis mental e emocional.

Dinâmica Interativa – Aqui faz-se um trabalho profundo e significativo, realizado com os conteúdos psíquicos, por meio de sete etapas específicas, as quais são favorecidas na abordagem integrativa transpessoal. Estas etapas são denominadas de :
Reconhecimento – um olhar ao redor... ( níveis etérico e físico )
Identificação–sãoas sensações físicas, sentimentos, pensamentos vivenciados pelo indivíduo a partir do olhar ao redor ( níveis mental e emocional )
Desidentificação – é o discernimento crítico, a análise, a reflexão...( níveis mental e emocional )
Transmutação – quando o conhecimento adquire significados pessoais ( nível intuitivo – ações superiores, sentimentos superiores, pensamentos superiores )
Transformação – a experiência pessoal e a individualidade criadora somadas às vivências das etapas anteriores, transformam-se em um novo conhecimento ( nível intuitivo – ações superiores, sentimentos superiores, pensamentos superiores )
Elaboração – Vem da própria transformação com os “insights” da nova aquisição, através do entendimento global do conhecimento, da situação e das possibilidades que promove o novo ( intuitivo – ações superiores, sentimentos superiores, pensamentos superiores )
Integração – união do conhecimento na vida pessoal, profissional e cotidiana inserindo-se no TODO DO SER ( nível intuitivo – ações superiores, sentimentos superiores, pensamentos superiores ; niveis etérico e físico )

Recursos Auxiliares ou Adjuntos – revestem-se de uma importãncia cada vez maior, porque facilitam a atualização de níveis de expansão da consciência, especialmente do supraconsciente ( uma dimensão superior do inconsciente, com conteúdos positivos e construtivos); rebaixam o nível de tensão e a ansiedade; promovem uma clareza mental maior e receptividade ao novo e por meio da ioga associada a meditação equilibram a produção de hormônios, harmonizam o metabolismo e aumentam as defesas imunológicas.
Atua nos níveis intuitivo,etérico e físico.

3- Quais corpos de referem ao nível da personalidade ?

Corpo Físico – É nosso corpo material tal qual se nos apresenta, composto de músculos, gorduras, ossos e fluídos.

Corpo Etérico ou Duplo Etérico – Atua cerca de 1,5 centimetros dentro do corpo físico até aproximadamente 15 centimetros fora. Forma assim uma camada protetora para o corpo físico em relação ao corpo astral.

Corpo Astral – Interpenetra o corpo físico e o corpo etérico. Representa o funcionamento dos nossos sentimentos. É bastante elástico, e se estende muito além do físico, até 5 (cinco) metros ou mais. Pode interpenetrar o campo de outro indivíduo e afetar as emoções de outra pessoa. Liga-se ao físico pelo fígado e orgãos sexuais.

Corpo Mental – representa nosso funcionamento intelectual, é parte de um campo mental universal. Interpreta o emocional, desde idéias pessoais a conhecimentos universais.
Liga-se ao corpo físico pelo cérebro e a medula espinal.

4- Quais os corpos se referem ao nível da individualidade?

Os corpos que compõem a nossa trindade superior , os corpos intuitivos que abrangem diferentes graduações e denominações como causal superior, búdico, átmico ou espiritual .
A emergência deste nível ocorre sempre quando há relações harmoniosas entre nossos campos emocional e mental, ou seja, quando há um nível de equilíbrio, paz interior.Possibilita a transmutaão, cura, integração nos processos evolutivos do indivíduo. Pode expandir-se ilimitadamente, independe de tempo e espaço.
No Corpo Átmico encontramos as ações superiores , poder divino, verdade, e ele está presente especialmente nos grandes mestres iniciados.
No Corpo Búdico encontramos sentimentos superiores, amor divino e ele é frequente nos indivíduos que alcançaram a santidade.
No Corpo Causal encontramos pensamentos superiores, sabedoria divina e ele se manifesta principalmente nos gênios.

5-A partir do texto “Desenvolvimento do Ser Integral” responda: “O que somos? “ Faça uma reflexão pessoal.

O Que somos?
Nós somos nossas ações – o que fazemos e dizemos – representados pelo nosso “corpo físico”.
Somos também o “corpo astral” - o corpo que determina os nossos sentimentos.
Entre o corpo físico e o corpo astral encontra-se o “corpo etérico” - onde se localizam os 7 principais chakras ou centros de energia , que também somos.
Somos ainda o corpo que vem a seguir, o “corpo mental” - onde se processam os nossos pensamentos.

O que nós poderemos vir a ser :

A trindade superior ao alcançarmos :
nível superior de pensamento - “corpo causal”
nível superior de sentimento - “ corpo búdico”
nível superior de ações - “corpo átmico”

Através de :

Na construção e no desenvolvimento do nosso ser integral é antes de tudo necessário que o indivíduo esteja desperto para a necessidade e emergência da evolução, se apenas os centros inferiores estão atuando, os corpos superiores ficarão adormecidos.
É necessário que se desperte os pensamentos, sentimentos e ações superiores para que se alcance os corpos sutis superiores, criando-se assim um canal de relação entre a personalidade (níveis inferiores) e a individualidade ( níveis superiores ).
Este processo de ascensão se dá através de mortes e renascimentos até atingir o Ser integral. É necessário a morte de um estágio para acessar o outro nível. O nível seguinte sempre contém o anterior, porém não está nele contido.
A não compreensão de que a renúncia e a dor poderão trazer algo melhor levará o indivíduo a sucumbir, e novo ciclo será estabelecido, até que se chegue novamente a este estágio e consiga transpô-lo, transcendê-lo, vencê-lo, ultrapassa-lo, ir para o nível seguinte, trazendo luz ao que sou.
Os caminhos auxiliares para o desenvolvimento dos corpos sutis , embora já tenham sido descritos na resposta a 1ª pergunta desta tarefa, penso ser adequado que aqui , neste momento, novamente se apresentem .
Ao evoluir em busca dos níveis superiores, utilizamos de dois caminhos :
1- descendente : são experiências de extase que tocam o indivíduo trazendo profundas mudanças em sua vida . Esta experiência que acontece de forma descendente, atinge poucas pessoas e não depende da vontade do indivíduo.
2- ascendente : é a forma de evolução mais comum, depende do esforço e da vontade do indivíduo. É o caminho trilhado com a prática constante de meditação, imaginação ativa, orações, concentração e relaxamento . Estas práticas harmonizam a atuação dos centros vitais, e como consequência harmonizam os corpos sutis, para que ocorra o desenvolvimento do ser integral.

COMO VEJO A PSICOLOGIA TRANSPESSOAL ?

REGINA BEZERRA CARVÃO


1- Com suas palavras conceitue o que é Psicologia Transpessoal ?

É a psicologia que além de abordar os aspectos estabelecidos pela psicologia clássica, também estuda e trabalha com os estados de consciência e com o que ultrapassa o pessoal, ou seja, o espiritual.
Ao restabelecer conexão com este aspecto maior de nossa humanidade promove a sacralização do cotidiano.

2- Quais os elementos estruturais da Abordagem Integrativa Transpessoal?

Conceito de Unidade
Conceito de Vida
Conceito de Ego
Estados de Consciência
Cartografia da Consciência

3-Qual o significado de cada um dos elementos ?

Conceito de Unidade – É a comunhão com você mesmo e com os outros, é estar presente por inteiro todos os momentos, favorecendo a integridade do ser, sem fragmentação.

Conceito de Vida – São todas as formas de existência. Nascer, morrer, renascer fazem parte de uma mesma dimensão atemporal.

Conceito de Ego – O ego apresenta-se como a consolidação da energia mental em uma barreira que divide o espaço entre o eu e o outro. Porém em algumas experiências circunstanciais o ego necessita derreter-se, para que a pessoa se torne unida a sua essência e a tudo que existe.

Estados de Consciência – É um dos principais elementos que diferencia a Psicologia Transpessoal das outras abordagens. É o corpo teórico dos diferentes estados de consciência que guiam, organizam, desenvolvem e favorecem a compreensão dos diferentes estados / níveis de realidade.

Cartografia da Consciência - É a direção que auxilia o condutor da orientação transpessoal (quer seja psicoterapêuta, educador, assistente social ou outros profissionais) a entender os caminhos que estão sendo percorridos pelo inconsciente ao indicar e dar nome as experiências vivenciadas. Existem diferentes nomenclaturas e terminologias para designar este mapa que se inicia no período anterior ao nascimento, percorre o próprio nascimento, a vida, a morte e o pós- morte.


4 – Os aspectos dinâmicos são constituídos de dois eixos, quais são eles?

O eixo experiencial e o eixo evolutivo.


5 – Descreva o significado dos elementos e funções psíquicas da Abordagem Integrativa Transpessoal ( REIS ):

No aspecto dinâmico da Abordagem Integrativa Transpessoal apresenta-se o Eixo Experiencial numa linha horizontal, simbolizando a integração do REIS . Esta linha horizontal é cruzada por uma linha vertical, que representa o eixo evolutivo.
As funções psíquicas da Abordagem Integrativa Transpessoal e o significado de seus elementos são :
R = Razão - O que é . É o que permite a conceituação.
E = Emoção – Informa o seu valor.
I = Intuição – Aponta as possibilidades, de onde vêm e para onde vão.
S = Sensação – Estabelece o que está presente nos cinco sentidos acrescido do sexto sentido - intuição.

PSICOSE X EMERGÊNCIA ESPIRITUAL

REGINA BEZERRA CARVÃO


1.-Descreva as diferenças entre psicose e emergência espiritual.

A psicose é ainda um mistério para a psiquiatria e a psicologia. Caracteriza-se principalmente pela percepção do mundo desconectada do que denominamos “realidade” e pela representação de pensamentos, respostas, comportamentos e comunicações considerados inadequados pelos padrões sociais e culturais em vigência.
Existem as psicoses orgânicas oriundas de modificações anatômicas, fisiológicas e bioquímicas que necessariamente sugerem a necessidade de procedimentos médicos. Outros estados psicóticos, embora exaustivamente pesquisados, são ainda estados de origem e natureza desconhecidas.
Jung iniciou a solução deste enigma ao descobrir que a psiquê humana tem acesso a imagens universais encontradas na mitologia e nas artes. Estas imagens foram denominadas arquétipos e levam a construção do conceito de que há um inconsciente coletivo comum à humanidade.
Foi através da análise de sonhos dos seus pacientes e da análise profunda e acurada das alucinações, fantasias e delírios de seus pacientes psicóticos que ele chegou a este resultado.
Somente na década de 60, quando ocorreu um enorme interesse nos estados alterados de consciência, em novas técnicas de psicoterapia e em práticas espirituais houve um despertar para a importância do inconsciente coletivo e da espiritualidade.
Este conhecimento traz com frequência ações curativas e transformadoras encontradas com freqüência na vida dos xamãs, dos santos, dos iogues, dos místicos e dos religiosos, o que valida o tratamento das emergências espirituais de maneira totalmente diversa do tratamento medicamentoso utilizado na psicose orgânica.
Ocorre-me neste momento uma definição de vida que me parece caber perfeitamente neste contexto desde que substituamos a palavra “vida” pela palavra “espiritualidade”........... “A vida, que é eterna, e limitada, sempre existiu. Desconhece-se sua origem e se quer pode-se imaginar de forma concreta, o seu fim. É inesgotável, uma fonte que jorra, incessantemente, nas suas mais diferentes manifestações.” (Vera Saldanha 1999 apud Vera Saldanha 2008, Pág. 165).


2.Quais recursos da Abordagem Integrativa Transpessoal são indicados nos casos de emergência espiritual.

Intervenção Verbal – No momento em que o cliente conta sua história.
Imaginação Ativa e Dinâmica Interativa – Utiliza-se a imaginação ativa em conjunto com a dinâmica interativa principalmente ao investigar as heranças simbólicas espirituais e culturais que façam parte da memória do cliente.
Analisamos com rigor todas situações apresentadas através dos 7 passos :
1- reconhecimento da dificuldade
2- identificação desta dificuldade no contexto da sua história 3- desidentificação desta mesma dificuldade ao constatar que a dificuldade existe mas a PESSOA não é esta dificuldade
4- transmutação ou mudança do significado desta dificuldade
5- transformação desta realidade concebendo uma nova solução
6- elaboração de um novo caminho que leve ao encontro da solução concebida
7- integração de todos os 6 passos anteriores com o objetivo maior do encontro com a espiritualidade.
Reorganização Simbólica – Criação de uma mitologia pessoal através dos símbolos pesquisados.
Recursos Adjuntos e Complementares – Meditação, relaxamento, contemplação, concentração, exercícios físicos, massagens e outras atividades complementares quando indicadas e necessárias

CENTROS VITAIS E AS 7 ETAPAS INTEGRATIVAS

REGINA BEZERRA CARVÃO


” ...Isso nós sabemos, todas as coisas são conectadas como o sangue que une uma família.... O homem não teceu a teia da vida, ele é dela apenas um fio.”
Ted Perry in “A Teia da Vida “ Fritjof Capra


Os 7 principais centros vitais ou chakras localizam-se no tronco e cabeça do ser humano e são os responsáveis pela manutenção dos corpos físicos através da energia sutil que distribuem por toda a matéria densa, que é o corpo físico conforme o percebemos.
Os chakras são comparados a vórtices ou rodas de energia em movimento que recebem, assimilam e transmitem as energias vitais.
De onde recebem ?
O duplo etéreo ou corpo etéreo fornece a energia que penetra cada celula do corpo físico cobrindo-o totalmente e mantendo-o vivo.
Como assimilam ?
Os chakras funcionam como laboratórios onde acontecem as transformações e captações de energia que possibilitam o fluir da vida.
Como transmitem ?
Através de canais condutores que se espalham por toda as entranhas do corpo humano, estes canais têm o nome de nadis que em sãnscrito significa movimento, correntes, canais por onde flua alguma coisa.

E a origem de tudo isto ?

Partindo do pressuposto de que:
há uma única consciência absoluta e universal que se divide em consciências individuais que por sua vez se dividem em chakras
há um modelo organizador invisível no universo, conforme especula a física moderna
Este modelo organizador propicia conexão entre a matéria sutil e a matéria densa e nesta conexão acontece a passagem da energia aos orgãos dos sentidos e aos orgãos da ação que compõem o corpo físico do ser humano.
Esta nova e extraordinária abordagem da compreensão da vida, me remete à necessidade de constante atualização (nos dois sentidos - me manter informada dos acontecimentos atuais e atualização no sentido com que Maslow foi traduzido, por sinal criou-se ali um oportuno neologismo, ou seja atualização no sentido de...”uso, exploração e aproveitamento de potencialidades”...

3- Qual a relação entre os sete principais centros vitais e as sete etapas integrativas do desenvolvimento do ser na abordagem interativa transpessoal ?

Sete etapas Sete Chakras Relação
1-Reconhecimento Base problema / queixa
2-Identificação Sacral entrar no problema/queixa
3-Desidentificação Plexo Solar estar mas não ser
4-Transmutação Cardíaco do apego ao desapego
5- Transformação Laríngeo rendição / mudança
6- Elaboração Frontal construir o novo
7- Integração Coronário melhor é aqui e agora