domingo, 28 de junho de 2009
TRIBUTO A MICHAEL JACKSON : PROVA DE QUE A ARTE TRANSCENDE....
terça-feira, 23 de junho de 2009
TERAPIAS COMPLEMENTARES : MEDITAÇÃO E IMAGINAÇÃO ATIVA
Proposições e Fundamentação Teórica
Proposta de estudo sobre a utilização da meditação e imaginação ativa como terapias complementares na recuperação e manutenção da saúde, através de análise a ser especificada na metodologia.
Estas práticas terapêuticas estão intimamente ligadas a Psicologia Transpessoal por fazerem parte da abordagem integrativa da Psicologia Transpessoal e por utilizarem-se de outros estados da consciência além da vigília .
Objetivos
OBJETIVO GERAL : Estabelecer o ponto de confluência entre meditação e visualização ativa e os tratamentos médicos convencionais, utilizando como centro emblemático deste estudo pesquisas legitimadas em publicações científicas que demonstrem a eficácia destas três terapias na manutenção e recuperação da saúde.
OBJETIVO ESPECÍFICO : Demonstrar que estas terapias são complementares e não alternativas aos processos terapêuticos da medicina convencional. Neste momento distinguir o alternativo do complementar e mostrar o resultado desta distinção.
Metodologia
Propõe-se um estudo descritivo de conceitos e significados : Meditação e Imaginação Ativa, no contexto da recuperação e manutenção da saúde.
Este estudo se utilizará de levantamento bibliográfico de pesquisas legitimadas por publicações científicas que abordem o tema e contemplará especialmente as similaridades, transposições, ligações, relações e complementaridades que apontem resultados satisfatórios na condução destas três práticas terapêuticas.
Meditação e Imaginação Ativa na Psicologia Transpessoal
Todos os recursos transpessoais aplicados à educação, à clínica, à instituição e a outros contextos que tenham por base os postulados teóricos da Psicologia transpessoal favorecem o equilíbrio de todos os níveis, os níveis comuns de pensar, agir e sentir, e os níveis superiores de pensar, agir e sentir que acontecem de forma elevada, superior, sábia, a nível do supraconsciente “sob a referência da psicologia transpessoal supraconsciente indica uma dimensão superior do inconsciente, com conteúdos positivos, construtivos”.....(Vera Saldanha p. 150)
A Abordagem Integrativa transpessoal trabalha a integração do ser utilizando-se da:
Intervenção Verbal – Este nível representa toda gama de verbalizações, as quais facilitam o estabelecimento de vínculos. Trata-se de uma forma na qual se propicia a presença do eixo experiencial, por meio da razão, emoção, sensação e intuição, e que irá facilitar a manifestação do eixo evolutivo, por intermédio da ordem mental superior, que representa simbolicamente, o aprendiz interno, o eu superior, o seu núcleo saudável e de equilíbrio.
Atua no nível intuitivo e nos níveis mental e emocional.
Imaginação Ativa – Trata-se de uma possibilidade do inconsciente de desenvolver imagens mentais, aparentemente aleatórias, mas que estão sendo criadas e contornadas pelas motivações mais profundas dos diferentes níveis do próprio indivíduo.
Nesta fase, potencializam-se aspectos da consciência de vigília,atualiza-se uma percepção mais ampla da realidade e estimula-se a presença da ordem mental superior.
Atua no nível intuitivo e nos níveis etérico e físico.
Reorganização Simbólica – Esta dinâmica facilita a organização de determinados conteúdos, numa sequência lógica e adequada, seja no aspecto psíquico, temporal ou espacial.
Envolve a imaginação, mas vai além, incluindo : clarificar e organizar metas; organizar os aspectos de direcionamento do psiquismo; favorecer o indivíduo na execução de metas, dando vida às imagens mentais, acionando a intuição e os processos psíquicos inconscientes, os quais transformam esses desejos em realidade, por meio das atitudes no cotidiano.
Atua nos níveis intuitivo e nos níveis mental e emocional.
Dinâmica Interativa – Aqui faz-se um trabalho profundo e significativo, realizado com os conteúdos psíquicos, por meio de sete etapas específicas, as quais são favorecidas na abordagem integrativa transpessoal. Estas etapas são denominadas :
Reconhecimento – um olhar ao redor... ( níveis etérico e físico )
Identificação–são as sensações físicas, sentimentos, pensamentos vivenciados pelo indivíduo a partir do olhar ao redor ( níveis mental e emocional )
Desidentificação – é o discernimento crítico, a análise, a reflexão...( níveis mental e emocional )
Transmutação – quando o conhecimento adquire significados pessoais ( nível intuitivo – ações superiores, sentimentos superiores, pensamentos superiores )
Transformação – a experiência pessoal e a individualidade criadora somadas às vivências das etapas anteriores, transformam-se em um novo conhecimento ( nível intuitivo – ações superiores, sentimentos superiores, pensamentos superiores )
Elaboração – Vem da própria transformação com os “insights” da nova aquisição, através do entendimento global do conhecimento, da situação e das possibilidades que promove o novo ( intuitivo – ações superiores, sentimentos superiores, pensamentos superiores )
Integração – união do conhecimento na vida pessoal, profissional e cotidiana inserindo-se no TODO DO SER ( nível intuitivo – ações superiores, sentimentos superiores, pensamentos superiores ; níveis etérico e físico )
Recursos Auxiliares ou Adjuntos – Dentre estes recursos contemplamos a Oração e a Meditação porque revestem-se de uma importância cada vez maior, facilitam a atualização de níveis de expansão da consciência, especialmente do supraconsciente ( uma dimensão superior do inconsciente, com conteúdos positivos e construtivos); rebaixam o nível de tensão e a ansiedade; promovem uma clareza mental maior e receptividade ao novo, equilibram a produção de hormônios, harmonizam o metabolismo e aumentam as defesas imunológicas.
Atua nos níveis intuitivo,etérico e físico.
Distinção entre Terapia Alternativa e Terapia Complementar
De acordo com o NCCAM- National Center of Complementary and Alternative Medicine (2002), órgão participante do NIH- National Institutes of Health dos Estados Unidos, as terapias complementares e alternativas são um grupo de sistemas médicos e de cuidados à saúde, práticas e produtos que não são considerados parte da medicina convencional.
Há muitas evidências científicas sobre os efeitos das medicinas alternativas e complementares, mas ainda há questões chave a serem respondidas por estudos científicos bem delineados.
Ainda de acordo com o mesmo centro, o termo complementar, significa que a prática é utilizada com a medicina convencional. O termo alternativa significa que a prática é utilizada no lugar da medicina convencional. Portanto, há questões éticas bastante sérias a serem consideradas quando se fala em terapia alternativa, pois pressupõe-se que ela substitui a medicina convencional.
Já o termo complementar e/ou integrativa significa que a prática combina a terapia médica convencional com métodos complementares, para os quais há alguma evidência científica de alta qualidade quanto à segurança e efetividade.
Terapias Complementares no Brasil
Instituições brasileiras têm realizado pesquisas sobre os efeitos das terapias complementares como a meditação e a imaginação ativa.
A UNIFESP organizou em 2008 o l Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas, um importante marco para a discussão sobre essas práticas entre profissionais e pesquisadores das áreas de saúde, qualidade de vida e bem-estar.
Recentemente o jornal Folha de São Paulo publicou uma inusitada fotografia do que até pouco tempo atrás seria quase improvável : uma foto de uma mulher em tratamento oncológico, em um importante hospital privado da cidade São Paulo recebendo instruções de meditação.
Portanto, não é mais possível ignorar ou simplesmente discordar da utilização de práticas das Terapias Complementares ou Integrativas. Há sim necessidade de divulgação de pesquisas dessas terapias para que se avalie sua eficácia, compreenda-se os mecanismos de ação de seus tratamentos, uma vez que a população tem se utilizado das mesmas há muito tempo.
O fato é que muitas pessoas buscam novas possibilidades de tratamento, pelas dificuldades de conseguir um atendimento pela medicina convencional, ou por estar insatisfeito pela maneira como caminham os cuidados com sua saúde, ou simplesmente por acreditar que as práticas complementares podem trazer melhor qualidade de vida para o que já recebem dentro do tratamento convencional.
A resposta a este crescente interesse talvez esteja na própria Organização Mundial da Saúde (OMS) que vem estimulando o uso da Medicina Tradicional e das Terapias Complementares nos Sistemas de Saúde de forma integrada às técnicas da medicina convencional em seu documento “Estratégia da OMS sobre Medicina Tradicional 2002-2005” que preconiza o desenvolvimento de políticas observando os requisitos de segurança, eficácia, qualidade, uso racional e acesso.
No Brasil, em 2006, o SUS através da portaria SAS 853 criou o atendimento de práticas integrativas e complementares e neste mesmo ano o Ministro da Saúde publicou uma portaria que institui a PNPIC (Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares), ou seja, a política pública oficial do Governo Federal para instalar atendimento em terapias complementares em todas as unidades de saúde no Brasil.
O governo espera ter atendimentos complementares em mais de 80% das unidades do SUS por volta de 2012. Ao mesmo tempo o Ministério da Saúde recomenda que essas terapias complementares sejam incluídas nos currículos universitários das áreas da saúde e que se façam concursos públicos para contratação de profissionais capacitados nessas áreas que possam prestar os serviços desejados.
O Número de municípios que já oferece atendimento em terapias complementares no Brasil é muito pequeno (cerca de 5% do total). Alguns pontos ainda não estão completamente esclarecidos, como por exemplo, qual deve ser a formação básica de cada um desses profissionais e qual deve ser o currículo e a carga horária para ser um especialista. Há ainda um conflito corporativo entre os conselhos de várias profissões da saúde para determinar quais profissionais estão autorizados a praticá-las.
Enquanto isso não fica esclarecido, cada prefeitura usa um critério próprio para escolher seus profissionais, não é a situação ideal, mas sem dúvida significou um grande passo para as terapias complementares e sua maior popularização no país.
A Secretaria Municipal de Saúde de Saúde de Campinas / SP foi uma das pioneiras ao disponibilizar, na sua rede de Centros de Saúde, por meio da Área de Saúde Integrativa, atendimentos de diversas terapias complementares incluindo a meditação .
Meditação e Imaginação Ativa
A meditação e a Imaginação Ativa não pertencem a nenhum caminho, nem religião, fazem parte de nossa natureza humana, são espontâneas e fáceis e são um estado natural como dormir.
Geralmente, em nossas atividades diárias quando temos algum tipo de concentração, é como se meditássemos no que estamos fazendo. A diferença de meditar de olhos fechados é focar a atenção no interior em vez de se focar na ação e de acordo com o Professor Paulo de Tarso Lima “ ao focarmos nossa atenção no momento presente, não há riscos porque não há futuro.”
Não importa o tipo da meditação, seja de que orientação for , independente de origem e religião, os resultados de práticas meditativas legitimados pela pesquisa científica têm-se apresentado sempre benéfico a seus praticantes.
A meditação e a Imaginação Ativa nos conduzem a um estado parecido com o estado do sono, ficamos conscientes, despertos, com a mente alerta, mas em estado de repouso. Com a prática da Meditação e da Imaginação Ativa, deslizamos para um espaço interior tranqüilo, onde relaxamos e entramos em contato com a fonte interior, o Ser interior,
A Meditação e a Imaginação Ativa são pacificadoras porque sua prática regular apaga as tensões e nos dá mais habilidade para enfrentar os desafios, a prevenir doenças, eliminar insônia e a inquietude da mente.
A prática da Meditação e a prática da Imaginação Ativa reduzem o metabolismo – os batimentos cardíacos e a respiração ficam mais lentos e diminui o consumo de oxigênio pelas células alcançando uma sensação de relaxamento e tranquilidade .
O termo “meditação” abrange numerosas tradições culturais e vários métodos de concentração mental, através do controle da respiração, visualizações, imaginação ativa, ou pelo contrário, a não focalização da mente em objetos ou idéias.
Meditação:
Muitas pessoas fazem algumas tentativas para meditar e acham difícil, porque pensam que precisam parar a mente ou porque pensam que logo vão mergulhar em estados de paz celestial e vazio da mente.
A escritura indiana Bhagavad Gita, diz que “ a mente é mais forte do que um vento e como ninguém pode parar o vento, apenas observá-lo, senti-lo e deixá-lo fluir, assim também devemos proceder com a nossa mente durante a meditação.”
A chave da meditação é observar a mente, observar os pensamentos, sem se preocupar com eles, sem lutar contra eles. O primeiro passo para a meditação é parar o corpo, silenciar a atividade física, aquietar a mente, ou pelo menos reduzir seus ruídos interiores.
Ao longo da história, a pratica da meditação tem objetivado a redução das tensões negativas nos planos conscientes e subconscientes, assim como facilitar a integração do indivíduo em seu ambiente físico, social e psicológico.
Imaginação Ativa
A imaginação ativa é a capacidade de “ver” na sua tela mental uma cena, ou de elaborar um cenário a partir dos sentidos internos. Como os sentidos geralmente estão mais focados no mundo externo, para focá-los internamente muitos precisam de uma ajuda externa, ou seja, uma pessoa ou um roteiro que conduza esta prática .
Durante a Imaginação Ativa quanto mais específico e mais detalhado for a descrição do cenário, movimentos, cores, formas, aromas, gostos, texturas, ruídos, pessoas, maior será a capacidade de alcançar o objetivo de ativar os sentidos internos .
Na Imaginação Ativa é o nível de detalhes que vai fazer com que o indivíduo domine seus movimentos e encontre mais facilidade em construir e visualizar todas as imagens sugeridas e solicitadas pelo condutor da prática .
Como resultado desta prática alcançamos o relaxamento, que tem a função de proporcionar a sensação de bem estar ao indivíduo, além de possibilitar a obtenção, mesmo que só através de imagens, daquilo que ele deseja e/ou precisa naquele momento.
Ao colocarmos nossa atenção no mundo interno, seja pelo método da Meditação como pelo método da Imaginação Ativa estamos nos programando para as modificações que vão nos aproximar de nossos objetivos, a curto prazo ou a longo prazo, porque hoje sabemos que o cérebro usa sempre o mesmo “caminho neuronal” que entra nos hábitos de raciocínio e comportamento.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
O QUE É TRANSPESSOAL ?
DOUTORA EM PSICOLOGIA TRANSPESSOAL - UNICAMP - CAMPINAS - SÃO PAULO - BRASIL
PRESIDENTE DA ALUBRAT - ASSOCIAÇÃO LUSO BRASILEIRA DE TRANSPESSOAL
Transpessoal caracteriza-se por ser uma experiência que segundo Walsh e Vaughan, pode definir-se como “aquela e em que o senso de identidade ou do eu ultrapassa (trans + passar = ir além) o individual e o pessoal a fim de abarcar aspectos da humanidade, da vida, da psique e do cosmo” (Walsh; Vaughan, 1997, p. 17).
A Psicologia Transpessoal pode ser entendida como estudos e práticas psicológicas destas experiências na saúde, educação, organizações, instituições, incluído não só sua natureza, variedades, causas e efeitos, seu desenvolvimento, bem como a sua manifestação na filosofia, arte, cultura, educação, religiões.
Em relação às disciplinas, por exemplo, a Psiquiatria Transpessoal concentra-se no estudo das experiências e fenômenos Transpessoais, enfocando, particularmente, seus aspectos clínicos e biomédicos. Na Antropologia Transpessoal refere-se ao estudo transcultural da experiência de ir além do eu pessoal e da relação entre a consciência e a cultura, enquanto que a Sociologia Transpessoal estuda as dimensões e expressões sociais desses fenômenos e a Ecologia Transpessoal aborda as repercussões e aplicações ecológicas dos mesmos.
É importante observar, todavia, que essas definições não determinam e não excluem o pessoal, também não invalidam, enquadram-no dentro de um contexto mais amplo, o qual reconhece a importância de ambas as experiências pessoais e transpessoais; também não prendem as disciplinas transpessoais a nenhuma filosofia, religião ou visão específica do mundo nem restringem a pesquisa a um determinado método (WALSH; VAUGHAN, 1997, p. 17).
O termo “Transpessoal” foi referendado, pela primeira vez na área da Psicologia, por Carl Gustav Jung, utilizando as palavras überpersönlich, em 1917, que significam suprapessoa e suprapessoal, respectivamente.
Uma definição dada por Pierre Weil é a de Psicologia Transpessoal como:
Um ramo da Psicologia especializada no estudo dos estados de consciência que lida mais especificamente com a “Experiência Cósmica” ou estados ditos “Superiores” ou “Ampliados” da consciência. Estes estados de consciência consistem na entrada numa dimensão fora do espaço-tempo tal como costuma ser percebida pelos nossos cinco sentidos. É uma ampliação da consciência comum com visão direta de uma realidade que se aproxima muito dos conceitos de física moderna (WEIL, 1999, p. 9).
Assim definimos a Psicologia Transpessoal como o estudo, pesquisa e aplicação dos diferentes estados de consciência em direção a Unidade do Ser. Sua área de atuação dá-se em todos os campos do conhecimento que tem como base a Psicologia (SALDANHA, 2008).
Observamos atualmente uma necessidade crescente de um enfoque psicológico que contemple a dimensão espiritual, ética e valores construtivos, positivos. A própria inserção na Psiquiatria da Categoria de “Problemas Religiosos e Espirituais” como pertinentes as necessidades psíquicas, faz com que a Psicologia Transpessoal torne-se cada vez mais necessária como um embasamento teórico, que nos proporciona recursos e cuidados para lidar com suavidade e profundidade em uma dimensão psico-espiritual do individuo. Mas isto não acontece somente no espaço clinico, também nas organizações, berço onde Maslow evidenciou as metanecessidades do Ser humano, além da auto-realização, estima, amor e segurança.
Nesta caminhada de autoconhecimento, a importância do contato com uma dimensão superior da psique, nossa dimensão saudável, é naturalmente ética.
Além disso, também na educação a abrangência da Didática Transpessoal (SALDANHA, 2008) nos permite um manancial de instrumentos na prática pedagógica, uma compreensão da relação educador-educando, bem como um entendimento maior da metacognição, motivação e aprendizagem.
Assim sem dúvida alguma a abordagem Transpessoal revela um olhar contemporâneo necessário à nossa Psicologia no momento atual.
A Alubrat surge no Brasil, trazendo a primeira pós-graduação lato-sensu em Psicologia Transpessoal e também como uma das instituições pioneiras no âmbito internacional com caráter mais cunhado pela pesquisa e embasamento teórico-prático das vivencias Transpessoais.
Seu nascedouro ocorreu justamente nos cursos de Psicologia Transpessoal. Veio com a missão de propagar no âmbito acadêmico essa vertente, legitimando a espiritualidade como aspecto inerente a natureza biológica do ser, algo desejável, curativo, saudável, e que pode nos adoecer quando ignorado ou reprimido. Isto pode ocorrer, não só no plano pessoal, como também no social e cultural.
Um axioma fundamental na abordagem de orientação Transpessoal é a espiritualidade no Ser humano.
Outros aspectos que se destacam neste enfoque é uma ampliação da cartografia da consciência incluindo experiências antes do nascimento, após a morte física, e de uma dimensão superior da consciência.
A Psicologia Transpessoal evidencia o trabalho por meio dos diferentes estados de consciência, a imortalidade da consciência, e o conceito de unidade como a grande Tônica Transpessoal.
Todo e qualquer legitimo trabalho Transpessoal, necessariamente percorre estes aspectos em sua suas vivências.Neste sentindo podemos dizer que há uma perspectiva comum que as unificam.Entretanto ocorrem distintas leituras metodológicas, e especialmente no Brasil, podemos citar a Alubrat com a Abordagem Integrativa Transpessoal, (Vera Saldanha); o trabalho de Jean-Yves Leloup, fundado na Meditação do Coração e na Tradição Hesicaste; o Cosmodrama de Pierre Weil tendo como fonte o Psicodrama; o trabalho de Leo Matos baseado na Psicologia Tibetana; a Dinâmica Energético do Psiquismo de Theda Basso e de Aidda Pustilnik que tem como fonte a Barbara Ann Brennan; o trabalho de Gislane D’Assumpção em Tanatologia a Respiração Holotrópica com base em Stanislav Grof. Outros trabalhos também são desenvolvidos, alguns mais ligados à filosofia espírita, outros ao enfoque de Roberto Assagioli ou de Ken Wilber; enfim, hoje temos muitos grupos que embora diversificados em sua metodologia tem uma vertente comum: o despertar da Consciência.
Penso que um grande Congresso Brasileiro que reunisse estes distintos grupos seria uma imensa contribuição para o movimento Transpessoal, o qual consolidaria a sua unidade na diversidade.
Fica a sugestão!
Referências:
SALDANHA, Vera. Psicologia Transpessoal: Abordagem Integrativa Um Conhecimento Emergente em Psicologia da Consciência. Ijuí: Unijui, 2008.
WALSH, Roger; VAUGHAN, Frances. Além do Ego: Dimensões Transpessoais em Psicologia. São Paulo: Cultrix, 1997.
WEIL, Pierre. Lágrimas de Compaixão: e a Revolução Silenciosa Continua. São Paulo: Pensamento, 1999.
Vera Peceguini Saldanha
*Psicóloga;
*Presidente da Associação Luso Brasileira de Transpessoal (ALUBRAT) como sede no Brasil e Portugal;
*Doutora em Psicologia Transpessoal (FE Unicamp);
*Autora do livro: Psicologia Transpessoal: Um Conhecimento Emergente de Consciência, Ed. Unijui;
*Autora do livro: A Psicoterapia Transpessoal, Ed. Rosa dos Tempos – 2ª edição;
*Ministra cursos e conferências na área de Psicologia Transpessoal em diversos estados do Brasil e exterior desde 1985.
domingo, 7 de junho de 2009
TRADUZIR -SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
De Na Vertigem do Dia (1975-1980)
sábado, 6 de junho de 2009
ENEAGRAMA
Meu tipo no Eneagrama e a relação com o momento atual.
O tipo 7 do Eneagrama é o que melhor me representa no momento, sua descrição ajuda-me a uma melhor análise e entendimento pessoal.
Ao aplicar o questionário a minha pontuação oscilou de 3 a 14 pontos distribuindo-se da seguinte forma :
Tipo Eneagrama === Pontuação obtida
1================= 7
2================= 9
3================= 6
4================= 4
5================= 3
6================= 6
7=================14
8================= 7
9================= 4
Conhecendo o tipo 7 identifiquei em mim, em primeiro lugar o medo de perder a liberdade e em segundo lugar a procura incessante pelo prazer representado pela novidade.
Nos momentos de dificuldades e sofrimentos o que mais se mostra em mim é o medo da profundidade porque promove o enfrentamento com a dor, em decorrência segue-se um sentimento de ansiedade e uma fuga para o mundo exterior.
Este medo da profundidade pode ser melhor compreendido ao analisar meus tipos vizinhos - ou eneatipos em movimento - ou alas.
Os meus são os tipos 6 e 8. Nos subtipos de autoconservação encontro o 6 em mim quando sou acometida por sentimentos de profunda desconfiança e o 8 quando me toma conta o sentimento perfeccionista que pensa que tudo tem que funcionar perfeitamente.
Quanto aos tipos vizinhos que relativizam minha dor trazendo-me conforto, encontro no tipo 6 calma, serenidade e confiança e no tipo 8 maior sociabilidade, ternura e proteção.
No momento identifico uma maior aproximação dos tipos que relativizam minha dor porque sinto uma maior capacidade de confiar, observo-me mais contida, recolhida e sentindo que minha contribuição, mesmo que pequena, é importante para o todo. Procuro estar próxima de pessoas que pensam como eu, estou determinada a fazer a minha parte, dar minha contribuição a uma causa, e ser responsável pela conservação de tudo o que me cerca.
Se fossemos procurar resquíscios de alguma patologia nos diversos tipos que compõem o eneagrama, o tipo 7 seria caracterizado como : Transtorno de Personalidade Narcisista.
Seu pecado principal seria : Hedonismo
Seu defeito principal : Gula
Sua virtude principal : Temperança e Equilíbrio ( o que devo perseguir )
Seu eixo : Planejador e realizador inúmeras idéias e atividades para evitar o sentimento.
Seu mantra : Não serei abandonado
Seu pensamento infantil : Sofro com as limitações deste mundo constrangedor ( = limitado ).
Seu floral : Heather, Honeysuckle, Clematis, Cerato, Agrimony.
O que mais me fascinou no exercício do eneagrama foi constatar a mudança que me aconteceu nestes últimos 5 anos.
Exatamente em 2004 minha terapêuta aplicou-me este mesmo questionário e o tipo que melhor representava meu momento naquela época era o tipo 1, e agora encontro como minha melhor representação atual o tipo 7.
O tipo 7 é justamente o que relativiza a dor e o comportamento do tipo 1.
É o tipo 7 que ajuda a harmonizar e experimentar um equilíbrio temporário que chamamos de consolo verdadeiro aos que se representam pelo tipo 1.
“O tipo 1 concentrado e controlado aprende com o tipo 7 a se soltar, ser alegre, festejar e não fazer caso das coisas. O tipo 1 redimido continua trabalhando duro, mas encontra com certa facilidade a paz interior; é capaz de aceitar que está a caminho e não no objetivo.” in Eneagrama, Apostila Alubrat, Docente Professor Luiz Carlos Garcia.
Já aceitando que trilho o Caminho e não estou mais só no objetivo, e que este caminho a partir de agora é o percurso que deverei fazer do tipo 7 para o tipo 5, concluo que a lição que devo aprender a partir deste novo caminhar será : “Parar de reprimir o sofrimento e confiar. Tornar-me mais recolhido e sóbrio. Aprender a ter responsabilidade pela conservação do mundo.” in Eneagrama, Apostila Alubrat, Luiz Carlos Garcia.
sábado, 9 de maio de 2009
COMPROMISSO COM O ALUNO : QUEM É ELE ? COMO VIVE ? O QUE PENSA ? COMO PODE APRENDER MAIS E MELHOR?
O professor / tutor ao definir e selecionar mídias e tecnologias na EAD deve estar principalmente compromissado em descobrir quem é seu aluno, como ele vive, o que ele pensa, como ele está aceitando, apreendendo , se apropriando e usando o conhecimento construído.
Para esta descoberta é fundamental o uso do tom dialogal com a preocupação de envolver o aluno na mesma convivência construtiva. Entenda-se por diálogo “troca ou discussão de idéias, de opiniões, de conceitos, com vista à solução de problemas, ao entendimento ou à harmonia; comunicação” Aurélio Buarque de Holanda Ferreira in Novo Dicionário Aurélio , e não apenas “usar o recurso de escrever um parágrafo inteiro e lá no finalzinho colocar uma pergunta do tipo: Vamos em frente? Certo? Concorda?” Márcia Leite e Maria Cristina Baeta Neves in Mídia Escrita.
Quando se pensa em mídias e tecnologias é essencial também se pensar em novas metodologias. A exemplo da alfabetização que se faz utilizando a escrita, seria muito interessante que também a educação para mídias e tecnologias se fizesse utilizando-se de mídias e tecnologias.
“Com uma caneta ou com um mouse ” Juliane Corrêa in Mídias e Tecnologias da Informação na Educação , com texto impresso ou com e-book , as mídias e tecnologias na educação podem contribuir para que se desenvolva a capacidade criativa dos alunos, motivando-os a se apropriar das mensagens, transforma-las, interferir no seu conteúdo e produzir colaborativamente novos conceitos e formas, descobrindo-se então criadores.
A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO MUNDO, A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA E A GLOBALIZAÇÃO
RE
REGINA BEZERRA CARVÃO
No ensino a distância a comunicação entre o professor e o aluno pode se realizar através de textos impressos, meios eletrônicos, mecânico ou outras técnicas ...(MOORE) , trata-se pois de um processo de ensino-aprendizagem que requer todas as condições gerais dos sistemas de instrução : planejamento prévio , orientação do processo , avaliação e retroalimentação ...(SARRAMONA) . Abrange as formas de estudo que não são dirigidas e/ou controladas pela presença do professor na aula ...(ZAMORA) de tal modo que qualquer pessoa independentemente de tempo e espaço , possa converter-se em sujeito protagonista de sua própria aprendizagem ...(MARTINEZ) pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e o apoio de uma organização tutorial ... (GARCIA ARETIO) .O ensino/educação a distância é um método de distribuir conhecimentos , habilidades e atitudes ...(OTTO PETERS)."
PANORAMA DA EAD NO MUNDO ATUAL
É neste contexto que a EAD desempenha um papel de fundamental importância ao apropriar-se das novas tecnologias disponíveis e aplicá-las na educação, compartilhando o conhecimento através de um processo interativo baseado na estreita cooperação entre tutores e cursistas. Este compartilhamento do saber possibilita a maior democratização da informação que é o maior bem destes nossos novos tempos.
As políticas educacionais públicas, ao privilegiarem os bons projetos de EAD além de fazerem educação a um custo menor do que em cursos presenciais, estarão criando oportunidades para milhões de pessoas terem acesso a novas oportunidades de aprendizagem, seja para os desempregados estruturais cujas funções foram substituídas por novas tecnologias, para os jovens que sequer estão inseridos no mercado de trabalho, ou ainda para os empregados manterem seus empregos através de constante atualização.
Bons projetos de EAD são aqueles que fazem antes de tudo educação com qualidade e constante avaliação do produto e do processo, que não fazem apenas a transposição do conteúdo de um curso presencial para um curso de EAD, que sabem que tanto a EAD quanto a Educação Presencial são processos educativos, qualificam o conhecimento do grupo e sabem principalmente que o conteúdo importa muito mais do que a tecnologia.
“As tecnologias da informação e da comunicação se convertem em tecnologias educativas na medida em que são utilizadas como estratégias de ensino aprendizagem, e não como meros recursos de demonstração” Juliane Corrêa in Sociedade da informação globalização e educação a distância. Observamos que esta afirmativa é inteiramente procedente, ao assistirmos a programação nacional e/ou internacional de televisão a cabo, que embora conte com produção impecável, apresentação e conteúdos excelentes, sempre deixa a sensação de que muito pouco ficou para reflexão e aprofundamento das questões ali tratadas.
Esta sensação “de que muito pouco ficou“ é justamente porque a proposta desta tecnologia , (no caso a programação da televisão a cabo), apesar de ter muita informação e comunicação de qualidade é na essência entretenimento e/ou mero recurso de demonstração.
São necessárias estratégias de ensino aprendizagem para que esta tecnologia, e todas as outras existentes, se transmutem em tecnologias educativas.
A possibilidade desta transmutação existe, todos os diversos meios poderão se tornar tecnologias educativas, desde que acompanhados de uma proposta pedagógica e de professores especializados, criativos e competentes em compartilhar o saber e motivar os alunos a serem receptores críticos, professores que façam a ponte entre os alunos e o conhecimento, entre alunos e alunos, facilitando desta forma a “construção coletiva, colaborativa e cooperativa”. Sandra Rodrigues da S. Dias in Fórum 5 –PÓS EAD0206 – SENAC/RIO
A proposta pedagógica da EAD também renova a educação presencial ao introduzir disciplinas não presenciais ao currículo do ensino superior (portaria 2253 / 2001), ao trazer novas concepções de pesquisas e principalmente a quebra do mito de que alunos não gostam de ler e escrever. Esta quebra se verifica no momento em que favorecemos o acesso a internet e os vemos totalmente absorvidos na leitura e escrita, proporcionados por esta conexão.
Entre 2001 e 2005 a oferta em EAD mais do que triplicou, este acréscimo é provavelmente uma resposta a um atendimento competente. Respostas competentes sempre geram novas demandas.
Segundo o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância" www.abraead.com.br/anuário) das 166 instituições brasileiras de EAD pesquisadas 24% são públicas.
Como 76% das instituições de EAD em funcionamento são particulares, embora a maioria seja sem fins lucrativos, constatamos que, temos ainda uma grande demanda reprimida.
Decididamente não é fácil fazer EAD, mas é fundamental que se enfrente este desafio, através da construção de políticas públicas que universalize seu acesso, sem perdas de suas qualidades fundamentais.
A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA E A EAD
O decreto 5622 legitima a EAD colocando-a no mesmo nível da educação presencial ao contemplá-la com os mesmos direitos e deveres. Esperamos que não haja retrocesso e que o resultado deste trabalho intenso de valorização e reconhecimento da EAD seja inteiramente respeitado. Quanto às avaliações presenciais, tão polemizadas, concordo com a necessidade de que elas sejam mesmo presenciais, até que a legitimação desta modalidade de educação não deixe mais dúvidas quanto sua assertividade e qualidade.
A GLOBALIZAÇÃO
Tomando a igreja católica como exemplo, observamos que a globalização é praticada há séculos, elas têm o mesmo ritual,de norte a sul do planeta.
No Brasil colônia, já explorávamos e cultivávamos aqui, o que seria manufaturado na Europa, portanto a diferença principal entre o que se nomeia hoje globalização e o que se praticava há séculos é a questão da “economia centralizada na mesma unidade de tempo real“ que Manuel Castell in Sociedades em rede, tão bem define como sendo “ as atividades econômicas centrais, nucleares de nossas economias que trabalham como uma unidade em tempo real, a nível planetário através de uma rede de conexões”.
Esta rede “corresponde a uma forma de divisão transnacional do trabalho que implica na distribuição de tarefas e funções entre as nações, ampliando sua ação do nível nacional para o global, utilizando-se das novas tecnologias da informação e comunicação”. Juliane Corrêa in Sociedade da informação, globalização e educação a distância.
Concluindo, retorno ao início deste texto, reafirmando o que penso ser a principal missão da EAD: ” apropriar-se das novas tecnologias disponíveis e aplicá-las na educação, compartilhando o conhecimento através de um processo interativo, baseado na estreita cooperação entre tutores e cursistas, possibilitando assim a maior democratização da informação - maior bem destes nossos novos tempos”.