sábado, 9 de maio de 2009

COMPROMISSO COM O ALUNO : QUEM É ELE ? COMO VIVE ? O QUE PENSA ? COMO PODE APRENDER MAIS E MELHOR?


REGINA BEZERRA CARVÃO

O professor / tutor ao definir e selecionar mídias e tecnologias na EAD deve estar principalmente compromissado em descobrir quem é seu aluno, como ele vive, o que ele pensa, como ele está aceitando, apreendendo , se apropriando e usando o conhecimento construído.

Para esta descoberta é fundamental o uso do tom dialogal com a preocupação de envolver o aluno na mesma convivência construtiva. Entenda-se por diálogo “troca ou discussão de idéias, de opiniões, de conceitos, com vista à solução de problemas, ao entendimento ou à harmonia; comunicação” Aurélio Buarque de Holanda Ferreira in Novo Dicionário Aurélio , e não apenas “usar o recurso de escrever um parágrafo inteiro e lá no finalzinho colocar uma pergunta do tipo: Vamos em frente? Certo? Concorda?” Márcia Leite e Maria Cristina Baeta Neves in Mídia Escrita.

Quando se pensa em mídias e tecnologias é essencial também se pensar em novas metodologias. A exemplo da alfabetização que se faz utilizando a escrita, seria muito interessante que também a educação para mídias e tecnologias se fizesse utilizando-se de mídias e tecnologias.

Com uma caneta ou com um mouse ” Juliane Corrêa in Mídias e Tecnologias da Informação na Educação , com texto impresso ou com e-book , as mídias e tecnologias na educação podem contribuir para que se desenvolva a capacidade criativa dos alunos, motivando-os a se apropriar das mensagens, transforma-las, interferir no seu conteúdo e produzir colaborativamente novos conceitos e formas, descobrindo-se então criadores.


A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO MUNDO, A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA E A GLOBALIZAÇÃO

RE


 REGINA BEZERRA CARVÃO

 No ensino a distância a comunicação entre o professor e o aluno pode se realizar através de textos impressos, meios eletrônicos, mecânico ou outras técnicas ...(MOORE) , trata-se pois de um processo de ensino-aprendizagem que requer todas as condições gerais dos sistemas de instrução : planejamento prévio , orientação do processo , avaliação e retroalimentação ...(SARRAMONA)  . Abrange as formas de estudo que não são dirigidas e/ou controladas pela presença do professor na aula ...(ZAMORA) de tal modo que qualquer pessoa independentemente de tempo e espaço , possa converter-se em sujeito protagonista de sua própria aprendizagem ...(MARTINEZ) pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e o apoio de uma organização tutorial ... (GARCIA ARETIO)  .O ensino/educação a distância é um método de distribuir conhecimentos , habilidades e atitudes ...(OTTO PETERS)."



PANORAMA DA EAD NO MUNDO ATUAL



É neste contexto que a EAD desempenha um papel de fundamental importância ao apropriar-se das novas tecnologias disponíveis e aplicá-las na educação, compartilhando o conhecimento através de um processo interativo baseado na estreita cooperação entre tutores e cursistas. Este compartilhamento do saber possibilita a maior democratização da informação que é o maior bem destes nossos novos tempos.

As políticas educacionais públicas, ao privilegiarem os bons projetos de EAD além de fazerem educação a um custo menor do que em cursos presenciais, estarão criando oportunidades para milhões de pessoas terem acesso a novas oportunidades de aprendizagem, seja para os desempregados estruturais cujas funções foram substituídas por novas tecnologias, para os jovens que sequer estão inseridos no mercado de trabalho, ou ainda para os empregados manterem seus empregos através de constante atualização.

Bons projetos de EAD são aqueles que fazem antes de tudo educação com qualidade e constante avaliação do produto e do processo, que não fazem apenas a transposição do conteúdo de um curso presencial para um curso de EAD, que sabem que tanto a EAD quanto a Educação Presencial são processos educativos, qualificam o conhecimento do grupo e sabem principalmente que o conteúdo importa muito mais do que a tecnologia.

As tecnologias da informação e da comunicação se convertem em tecnologias educativas na medida em que são utilizadas como estratégias de ensino aprendizagem, e não como meros recursos de demonstração” Juliane Corrêa in Sociedade da informação globalização e educação a distância. Observamos que esta afirmativa é inteiramente procedente, ao assistirmos a programação nacional e/ou internacional de televisão a cabo, que embora conte com produção impecável, apresentação e conteúdos excelentes, sempre deixa a sensação de que muito pouco ficou para reflexão e aprofundamento das questões ali tratadas.

Esta sensação “de que muito pouco ficou“ é justamente porque a proposta desta tecnologia , (no caso a programação da televisão a cabo), apesar de ter muita informação e comunicação de qualidade é na essência entretenimento e/ou mero recurso de demonstração.

São necessárias estratégias de ensino aprendizagem para que esta tecnologia, e todas as outras existentes, se transmutem em tecnologias educativas.

A possibilidade desta transmutação existe, todos os diversos meios poderão se tornar tecnologias educativas, desde que acompanhados de uma proposta pedagógica e de professores especializados, criativos e competentes em compartilhar o saber e motivar os alunos a serem receptores críticos, professores que façam a ponte entre os alunos e o conhecimento, entre alunos e alunos, facilitando desta forma a “construção coletiva, colaborativa e cooperativa”. Sandra Rodrigues da S. Dias in Fórum 5 –PÓS EAD0206 – SENAC/RIO

A proposta pedagógica da EAD também renova a educação presencial ao introduzir disciplinas não presenciais ao currículo do ensino superior (portaria 2253 / 2001), ao trazer novas concepções de pesquisas e principalmente a quebra do mito de que alunos não gostam de ler e escrever. Esta quebra se verifica no momento em que favorecemos o acesso a internet e os vemos totalmente absorvidos na leitura e escrita, proporcionados por esta conexão.

Entre 2001 e 2005 a oferta em EAD mais do que triplicou, este acréscimo é provavelmente uma resposta a um atendimento competente. Respostas competentes sempre geram novas demandas.

Segundo o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância" www.abraead.com.br/anuário)  das 166 instituições brasileiras  de EAD pesquisadas 24% são  públicas.

Como 76% das instituições de EAD em funcionamento são particulares, embora a maioria seja sem fins lucrativos, constatamos que, temos ainda uma grande demanda reprimida.

Decididamente não é fácil fazer EAD, mas é fundamental que se enfrente este desafio, através da construção de políticas públicas que universalize seu acesso, sem perdas de suas qualidades fundamentais.



A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA E A EAD

O decreto 5622 legitima a EAD  colocando-a no mesmo nível da educação presencial ao contemplá-la com os mesmos direitos e deveres. Esperamos que não haja retrocesso e que o resultado deste trabalho intenso de valorização e reconhecimento da EAD seja inteiramente respeitado. Quanto às avaliações presenciais, tão polemizadas, concordo com a necessidade de que elas sejam mesmo presenciais, até que a legitimação desta modalidade de educação não deixe mais dúvidas quanto sua assertividade e qualidade.

A GLOBALIZAÇÃO

Tomando a igreja católica como exemplo, observamos que a globalização é praticada há séculos, elas têm o mesmo ritual,de norte a sul do planeta.

No Brasil colônia, já explorávamos e cultivávamos aqui, o que seria manufaturado na Europa, portanto a diferença principal entre o que se nomeia hoje globalização e o que se praticava há séculos é a questão da “economia centralizada na mesma unidade de tempo real“ que Manuel Castell in Sociedades em rede, tão bem define como sendo “ as atividades econômicas centrais, nucleares de nossas economias que trabalham como uma unidade em tempo real, a nível planetário através de uma rede de conexões”.

Esta rede “corresponde a uma forma de divisão transnacional do trabalho que implica na distribuição de tarefas e funções entre as nações, ampliando sua ação do nível nacional para o global, utilizando-se das novas tecnologias da informação e comunicação”. Juliane Corrêa in Sociedade da informação, globalização e educação a distância.

Concluindo, retorno ao início deste texto, reafirmando o que penso ser a principal missão da EAD: ” apropriar-se das novas tecnologias disponíveis e aplicá-las na educação, compartilhando o conhecimento através de um processo interativo, baseado na estreita cooperação entre tutores e cursistas, possibilitando assim a maior democratização da informação - maior bem destes nossos novos tempos”.







CAMINHOS DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO : DE RECURSOS DE DEMONSTRAÇÃO A ENSINO APRENDIZAGEM

REGINA BEZERRA CARVÃO


Esta aí uma questão que sempre me intrigou ...

Assisto diariamente, há muitos anos, televisão “a cabo“, passo inúmeras horas do meu tempo reservado ao lazer assistindo programas nacionais e internacionais, que embora contem com produção impecável, apresentação e conteúdos excelentes, me deixam sempre com a sensação de que muito pouco fica para reflexão e aprofundamento das questões ali tratadas.

Concluo agora, durante a reflexão para justificar a assertiva acima, que esta sensação “de que muito pouco fica“ é justamente porque a proposta desta tecnologia (no caso a programação da televisão a cabo) apesar de ter muita informação e comunicação de qualidade é na essência entretenimento e/ou mero recurso de demonstração.

São necessárias estratégias de ensino aprendizagem para que esta tecnologia, e todas as outras existentes, se transmutem em tecnologias educativas.

A possibilidade desta transmutação existe, todos os diversos meios poderão se tornar tecnologias educativas, desde que acompanhados de uma proposta pedagógica.

A GLOBALIZAÇÃO E SUAS POSSÍVEIS INTERFERÊNCIAS NA EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

REGINA BEZERRA CARVÃO 

Assim como a tecnologia está presente nos mais simplórios atos, exemplos: ao se verificar um saldo bancário, ao se retirar através da rede bancária até mesmo o benefício mínimo pago às classes trabalhadoras com menor renda, ao solicitar um número de telefone ao serviço de informações , a globalização também, queiramos ou não é um fato real nas nossas vidas.

Quer sejamos tecnofóbicos ou tecnofílicos ou globalfóbicos ou globalfílicos temos que conviver com estas realidades cotidianamente, aceitando que tanto as novas tecnologias quanto a globalização são processos irreversíveis.

A globalização é praticada há séculos, a igreja católica por exemplo tem o mesmo ritual ,o mesmo serviço oferecido, as mesmas tabelas de preços, as mesmas palavras , a mesma arquitetura , os mesmos cânticos, o mesmos objetivos, do Afeganistão ao Zimbábue . No Brasil colônia , já fazíamos aqui o açúcar que adoçaria vários países europeus, explorávamos o ouro que dentre outras finalidades fariam as jóias das coroa, cultivávamos o algodão que confeccionaria as roupas européias, portanto a diferença principal entre o que se nomeia hoje globalização e o que se praticava há séculos é o acelerado ritmo do atual progresso tecnológico, que chega a dobrar seus conhecimentos a cada 5 anos .

Estas novas tecnologias tornam imperativa a aquisição de novas habilidades,competências e a constante atualização destas habilidades e competências adquiridas. É neste contexto que a EAD desempenha um papel de fundamental importância ao apropriar-se das novas tecnologias disponíveis e aplicá-las na educação, repartindo o conhecimento através de um processo interativo baseado na estreita cooperação entre tutores e cursistas. Esta repartição do saber possibilita a maior democratização da informação que é o maior bem a ser partilhado nestes nossos novos tempos

As políticas educacionais públicas ou particulares, quer seja em cursos formais ou informais ao privilegiarem os bons projetos de EAD estarão criando oportunidades para milhões de pessoas terem acesso a novas oportunidades de aprendizagem, seja para os desempregados estruturais cujas funções foram substituídas por novas tecnologias, para os jovens que sequer estão inseridos no mercado de trabalho, ou ainda para os empregados manterem seus empregos através de constante atualização e estarão fazendo educação a um custo 6 vezes menor do que os cursos tradicionais.

Bons projetos de EAD são aqueles que fazem antes de tudo educação com qualidade e constante avaliação do produto e do processo, que não fazem apenas o transporte do conteúdo de um curso presencial para um curso de EAD, que sabem que tanto a EAD quanto a Educação Presencial são processos educativos , qualificam o conhecimento do grupo e sabem principalmente que o conteúdo importa muito mais do que a tecnologia.

EAD - EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


ANA FLORES E REGINA BEZERRA CARVÃO


É quase como a pergunta do comercial “Tostines vende mais porque é mais fresquinho ou é mais fresquinho porque vende mais?” A oferta está aumentando pelos dois motivos, como uma resposta a uma demanda reprimida e como conseqüência do atendimento competente a essa demanda. À medida que se criam, inovam-se e atualizam-se os recursos técnicos de cursos a distância, haverá demandas de diferentes partes do país e de diferentes perfis de “clientes” a se interessarem por essa modalidade de estudo. As inovações nos recursos e as possibilidades de acesso à educação em lugares antes impensáveis atraem cada vez mais novos usuários, aumentando a demanda aos cursos a distância.

 Na iniciativa pública, esses espaços estão crescendo timidamente. Segundo o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância - Abraead, das 116 instituições brasileiras de EaD pesquisadas, apenas 24% são públicas. A nova concepção de educação pode não conseguir preencher todos os espaços vagos de uma vez, alguns custarão mais a ter acesso; mas com a renovação constante dos recursos tecnológicos, principalmente se baseados em vontade política de se levar o ensino a todos os rincões do País, a EaD poderá chegar a regiões nunca antes atingidas nem pela educação tradicional.

Quaisquer que sejam os espaços criados, de uma maneira ou de outra sempre haverá segmentos que não terão acesso a estes, especificamente, mas que poderão se beneficiar de outros espaços e recursos tecnológicos, sejam eles um simples curso via Correio, um programa radiofônico ou um curso interativo por vídeos ou computadores de última geração. A criação de espaços, em lugar de ser considerado um ponto negativo da EaD ou a razão de novas marginalizações,  são novas portas que se abrem a um número crescente de pessoas, mesmo que isso ocorra em tempos diferentes para cada grupo. Mas tendo em mente o fato de que, de acordo com o Abraead, 76% das instituições EaD em funcionamento são particulares,  significa que ainda há muita coisa a ser feita no setor.

 



JESÚS MARTÍN-BARBERO : A ESCOLA ESTÁ FECHADA A CULTURA AUDIOVISUAL E DIGITAL

REGINA BEZERRA CARVÃO


Concordo com a afirmação do autor e parece-me que existe uma fantasia de que todo o conhecimento universal está prontinho nos esperando na internet, mas eu penso que este conhecimento se constrói a cada instante integrando a cultura das letras com a cultura digital.

Esta integração, em parte, já existe, porque o que mais encontramos na cultura digital são textos escritos. O que se faz necessário é a escola utilizar melhor as TICs assumindo a responsabilidade de descentralizar a produção de conhecimento e de cultura ousando novas idéias, experimentando sempre o novo.

Em vez de ficar criticando os meios de comunicação e esperar que a internet faça o milagre, cabe a escola criar métodos coletivos de produção e as novas possibilidades de linguagem para os meios audiovisuais e digitais, valorizando as culturas regionais.

Educar hoje, é também saber utilizar as TICs como instrumentos de construção da educação abandonando a postura de acumulação passiva e reprodutiva de conteúdos.

Mesmo que a escola possua computadores suficientes para todos os alunos, se não se fizer presente o comprometimento com a inovação pedagógica, todo este equipamento corre o risco de se transformar em máquinas de.entretenimento e/ou mero recurso de demonstração.

São necessárias estratégias de ensino aprendizagem para que toda esta tecnologia, se transmute em tecnologias educativas.

A possibilidade desta transmutação existe, todos os diversos meios poderão se tornar tecnologias educativas, desde que acompanhados de uma proposta pedagógica.

Finalizando quero transcrever um texto de  Pierre Levy, muito adequado a esta tarefa : “ É possível navegar na web e usar o correio eletrônico sem possuir computador se houver uma política ambiciosa de equipar salas comunitárias abertas ao público nos bairros e regiões pobres, o principal obstáculo à participação não é a falta de computador, mas sim o analfabetismo e a falta de recursos culturais. É por isso que o esforço para a educação, a inovação pedagógica, a formação intelectual e o “capital social” são os fatores chave do desenvolvimento da inteligência coletiva.” In www.nova-e.inf.br/nomes/pierrelevy.htm